Rio -  Um misto de indignação, revolta e frustração. Este foi o sentimento que tomou conta dos profissionais de enfermagem que acompanharam na Câmara dos Deputados, em Brasília, a votação do PL 2.295/2000, que regulamenta a jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem para 30 horas semanais. A decepção com o governo é ainda maior se considerarmos que o compromisso público de aprovar a jornada de 30 horas foi assumido na campanha da presidenta Dilma Rousseff.

O projeto está pronto para ser votado há décadas, e antiga proposição, com o mesmo teor, já havia sido vetada pelos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. O esforço para barrar a votação evidencia, apenas, o forte lobby exercido por parte dos setores privado e filantrópico. Mais uma vez, assistimos ao predomínio do interesse do empresariado privado da saúde, que financia as grandes campanhas eleitorais, em detrimento dos trabalhadores de enfermagem, explorados e humilhados, com baixos salários, péssimas condições de trabalho e jornadas desumanas.

Há um esforço de mostrar para a sociedade que a medida onera o governo em R$ 7,2 bilhões. No entanto, contraria estudo do Ministério da Saúde, que garante ser o impacto econômico totalmente compatível com os gastos, tanto no setor público, de R$ 136 milhões, quanto no privado, de R$ 195 milhões, num total de R$ 331 milhões. Na contramão, vários municípios, inclusive o Rio, onde está instalada a maior rede pública da América Latina, a jornada de 30 horas já foi aprovada.

Perdemos mais essa batalha, mas não a guerra. Temos que nos manter unidos, fortalecer nossas entidades de classe e buscar esclarecer aos usuários, mostrando quem de fato sai ganhando. A luta é árdua, mas não podemos nos abater. É preciso avaliar as nossas estratégias e agir de forma ordenada para mostrar nossa força.